Artigo de opinião
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Eis que a professora de português nos delegou a missão de escrever um artigo de opinião sobre a tão polêmica técnica de vivisseção. Primeiramente, aos que possam desconhecer este tipo de intervenção, esclareço do que se trata:
Vivissecção é o uso de animais vivos em experiências de cunho científico, realizadas em centros de pesquisa, laboratórios de fábricas de produtos químicos, de limpeza e de cosméticos.
Pois bem, quem me conhece de longa data sabe bem que sou destes “eco-chatos” de marca maior. Sou o tipo de sujeito que tem piedade de insetos, dos mais simpáticos aos mais asquerosos , e ao invés de matá-los, salvo-lhes a vida (sim, ao invés de matar baratas e afins eu lhes dou liberdade em um local seguro). Adquiri tal consciência através da educação que recebi em casa, dos meus pais. Não somos vegetarianos, mas esforçamo-nos em preservar a vida, independente de como ela se apresente. Munido deste tipo de conduta vocês podem presumir qual será minha opinião sobre a vivisseção.
Entretanto, antes de atacarmos ostensivamente este tipo de método -a vivisseção - , vamos analisar outro maus tratos a animais que são praticados por aí, deliberadamente. Lembremos-nos primeiramente de práticas largamente usadas dentro de nosso contexto cultural. Puxe pela memória. Rodeios, boiadas, brigas de galo e de cães, corrida de cavalos e outras incontáveis realizações promovidas com o sofrimento animal que, raramente, são repreendidas pela opinião pública. Pelo contrário; muitas vezes são exaltadas, propagandeadas e cultuadas dentro de nossa realidade. Em primeira análise, estas práticas são tão vis quanto a própria vivisseção. E como não seriam?! Vejam pra que fins são realizados os rodeios, corridas e brigas entre animais? Para a simples e indigna diversão humana. E a vivissecção? A vivisseção possui fins científicos, que podem ser benéficos tanto para nós quanto para os animais – não que isso justifique o seu emprego.
Adquirir conhecimento através da dor alheia não é nada ético, é condenável; mas vale sempre lembrar que a comunidade científica já se aproveitou das informações levantada por esses métodos, não é mesmo? Lembrem-se de Josef Mengele, que, através de seus métodos tétricos e gingantemente desumanos, trouxe inúmeras informações para o campo científico.
Acontece que hoje vivemos outra realidade. Nos dias de hoje, temos consciência e tecnologia para não repetirmos as aberrações do passado. Os métodos evoluíram e, por incrível que pareça, o pensamento também. Podemos escolher se seremos vegetarianos ou não, pois a nossa atual condição nos permite não comer carne. Essa mesma evolução já permite que a vivissecção não seja mais repetida. Pode-se, nos dias de hoje, simular os efeitos da vivissecção em modelos sintéticos criados em laboratórios; pode-se aprender a vivissecção através de vídeo aulas. Partindo daqui, não enxergo reais motivos para a reprodução da vivissecção.
Contudo, ainda existem reações a serem estudadas, afinal de contas, o campo médico é um universo infinitamente extenso. Nestes casos, acredito, a vivissecção se justifica, porém, com algumas ressalvas. Vamos a elas:
os animais criados em laboratório para este fim devem possuir criação digna, isenta de sofrimentos prévios;
o animal deve estar devidamente anestesiado para o experimento, e, sua morte, não deve oferecer sofrimento algum;
dar preferência por animais em estado terminal de saúde;
Caso não se cumpram tais assertivas, reprovo, categoricamente.

